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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O famoso Eduardo


Eduardo queria ser popular na escola
Queria ter muitos amigos e ser conhecido por todos;
Desejava ser diferente como algum super herói
Ou poder domar um cavalo igualzinho a um cowboy
Não importava o motivo da fama, o que ele queria era ser popular.
Mas como, se com ele tudo acontecia?
Se um inseto o picasse a pele ficava toda vermelha
Se tomava leite de vaca a sua barriga doía.
Se corria muito sentia falta de ar
Nem bicho de pelúcia ele podia
porque com o pó logo começava a espirrar.
Ah! Era tanta coisa que o Eduardo tinha
e sendo assim como ele iria se destacar?
O menino vivia pensando, assim, dentro da sua cabecinha
Uma forma de ser diferente
De ficar banguelo sem perder os dentes
De só comer besteiras e não ficar doente
Quem sabe pintar o cabelo ou fazer permanente
Ser o campeão no vídeo game ou ganhar nos jogos do Facebook
O menino precisava ter atitude prá se tornar bem conhecido.
E ele não sabia como, porque era muito tímido.
Mas certo dia na hora do lanche
um amigo seu pediu um pedaço de bolo
Eduardo deu, o menino comeu
e depois o olhou com cara de bobo.
Mais que bolo mais gostoso! É mais leve e mais saboroso. – Constatou o jovem menino.
E logo toda a turma só queria comer o lanche do Eduardo
Porque o bolo não tinha farinha de trigo
Os biscoitos eram feitos de amido
Nem de salgadinhos Eduardo gostava
Em sua lancheira era fruta que ele levava
A hora do lanche parecia uma festa todo dia,
Onde todo mundo conversava e brincava
E comia os lanches que a mãe do Eduardo fazia.
Se uma bala diferente alguma pessoa oferecia
os amigos de Eduardo logo diziam que ele não podia
Que primeiro tinha que olhar no rótulo os ingredientes
para ver se o menino poderia comer
Porque o Edu era um menino diferente
e isto era fácil de se perceber.
Só quem não percebeu foi o próprio Eduardo,
que ele era um garoto muito especial
E de tão especial que era, passou a ser admirado por toda a turma da escola
E olha que ele nem precisou pintar o cabelo e nem aprender a tocar viola
Eduardo só foi ele mesmo – um garoto de alto astral
que tinha uma alimentação mais do que legal.
E por ter nascido diferente acabou fazendo sucesso naturalmente.
Esta é a história do Eduardo, que continua espirrando e tendo muitas alergias
Mas que descobriu que o importante é ter muitos amigos,
Uma alimentação saudável e uma vida cheia de alegria.



Autora: Erivane de Alencar Moreno

A garotinha Cindy




Era uma vez uma garotinha que se chamava Cindy.
Ela era muito inteligente e sempre se destacava na escola. Mas como nem tudo é perfeito, ela tinha duas amigas muito más e a sua professora não gostava muito dela.
O maior sonho de Cindy não era encontrar um príncipe encantado, era outro desejo um tanto diferente: poder comer os mesmos alimentos que os seus amigos comiam.
Suas duas amigas por nome de Ane  e Viviane vivam caçoando de Cindy porque ela não podia comer determinadas coisas. Lá no fundo era pura inveja porque a Cindy só levava alimentos saborosos e livres de glúten para a escola. A professora por sua vez também era muito má e vivia pedindo para a menina fazer várias coisas na sala de aula.
- Cindy, apaga a lousa. Cindy, distribua as lições para seus amigos. Cindy, me ajude a corrigir as provas. Tudo era Cindy, Cindy e Cindy. A menina não tinha tempo nem para brincar com os amiguinhos direito.
Lá no fundo havia um motivo muito forte para a sua professora não gostar dela: ela vivia olhando a página do Facebook da mãe de Cindy e via que ela colocava fotos de todas as guloseimas que costumava fazer para a sua filha e a professora ficava morrendo de vontade de comer, mas ela não sabia fazer aquelas receitas saborosas sem glúten e por isso sentia muita inveja da menina.
Certo dia, o Felipe, um dos amiguinhos da turma levou um convite para todos da sala – seria a festa de seu aniversário.
A mãe de Cindy, com todo o carinho fez um bolo de chocolate recheado, salgadinhos e docinhos, todos sem glúten, para que Cindy pudesse comer no aniversário. A garota sabia que não podia comer nada do que era servido na festa porque tudo ali tinha glúten, mas ela não ficava triste por isso, afinal, ela ia às festas para brincar e se divertir com os amigos e não para ficar comendo o tempo todo. 
Ao chegar à festa, todas as crianças correram para abraçá-la numa forma de “montinho” – era sempre assim quando Cindy chegava porque ela era muito querida por todos.
Porém, Ane e Viviane não foram abraçá-la e ficaram com muita inveja quando as duas viram a doce menina abrir a sua lancheira e tirar toda aquela comida gostosa que sua mãe havia preparado.
Antes mesmo de comer, os seus amigos vieram chamá-la para ir aos brinquedos e Cindy saiu correndo deixando as suas guloseimas em cima da mesa.
As duas meninas mais do que rápido foram até a mesa e comeram tudo e até a professora que estava por perto resolveu comer também. A professora pegou o celular, tirou uma foto dela e das duas amigas más com a boca lambusada daquelas delícias e postou no Facebook, dizendo: “Eu adoro os alimentos sem glúten, são muito saborosos!
Quando se cansou, Cindy foi até a mesa para tomar uma água e comer um pouco e para a sua surpresa os seus salgados e bolo haviam sumido.
Triste, Cindy saiu correndo e foi embora da festa esquecendo a sua lancheira em cima da mesa e Ane aproveitou para pegar a lancheira para ela.
No outro dia todos estavam reunidos na escola e Cindy ainda estava triste porque havia perdido a sua lancheira cor de rosa com lilás de que ela tanto gostava.
Na hora do recreio, Ane abriu a lancheira para pegar o lanche e logo Cindy reconheceu que aquela era a sua lancheira, mas Ane afirmou que sua mãe havia comprado uma igualzinha para ela.
Após o lanche os alunos foram brincar e o Felipe que havia ganhado um celular de presente dos seus pais no dia do seu aniversário, quis mostrá-lo para a sua amiga Cindy.
Ele disse: - Olha, Cindy, a minha mãe criou um Facebook para mim. – e os dois começaram a ver fotos, até que num momento eles entraram no Face da professora e o que eles viram? A foto dela junto a Ane e a Viviane comendo os salgados que a Cindy havia levado para a festa; e na foto a Ane estava segurando a lancheira da menina.
Pronto! O mistério havia sido desvendado: além de descobrir quem havia comido as suas coisas, Cindy e Felipe descobriram quem havia pegado a sua lancheira.
Mais do que depressa os amigos se reuniram e foram a diretoria contar tudo o que havia acontecido.
- Porque você comeu a comida da Cindy, professora? – perguntou a diretora.
- Porque eu via as fotos de tudo o que a mãe da Cindy preparava para ela e ficava com vontade, diretora.
- E vocês, Ane e Viviane? Porque fizeram isso com a amiguinha de vocês?
- Ah, senhora diretora, é que como a Cindy tem uma alimentação saudável ela está sempre tão feliz e tem disposição para participar de todas as brincadeiras e quase sempre ganha nas competições das aulas de Educação Física. Nós pensamos que comendo os alimentos dela nós também ficaríamos fortes e bonitas como ela.
A diretora pensou bem e, ao invés de dar um belo castigo para a professora e para as duas garotas, ela deu a seguinte ordem:
- A partir de hoje teremos aulas de culinária sem glúten todos os meses nesta escola e desta forma a Cindy poderá ensinar a todos como fazer alimentos gostosos sem farinha de trigo e outras proteínas do glúten.
Depois disto, a sua lancheira foi devolvida com um belo pedido de desculpas e a partir daquele dia, todos na escola se uniram para fazer deliciosas receitas sem glúten onde todos puderam participar tanto na elaboração quanto na degustação. A professora já não sentia mais inveja, pois o seu Facebook também passou a ficar cheio de fotos de todos os seus alunos fazendo e comendo gostosuras sem glúten feito por todos eles nas aulas de culinária.
Depois disto, o maior sonho de Cindy já não era poder comer os alimentos que os seus amigos comiam e sim o contrário, que todos pudessem comer as coisas saborosas que ela comia para que todos fossem felizes como ela. E o seu desejo foi atendido.


Autoria: Erivane Flausina de Alencar Moreno

domingo, 27 de setembro de 2015

Rapunzel e sua família



Em homenagem ao dia das crianças, que já está chegando, criei mais uma história infantil.
A dica é, após a leitura, que os pais perguntem se a criança tem alguma dúvida. Fale sobre a FENACELBRA (Federação Nacional dos Celíacos no Brasil), explique porquê não existe somente uma criança celíaca, mas sim uma família celíaca, fale que a dieta torna a criança mais forte e ajuda no crescimento, enfim. É uma forma lúdica de explicar fatores da celíaca à criança.

Boa leitura!

RAPUNZEL E SUA FAMÍLIA





Era uma vez uma linda menina chamada Rapunzel.
Quando criança ela foi roubada de seus pais, o rei e a rainha, e passou a viver com uma mulher muito má numa torre escondida no meio da floresta.
Esta torre era muito, mas muito alta mesmo e ela não tinha como sair de lá. Assim, a menina cresceu sozinha, sem ir à escola e sem amigos para brincar. Mas ela amava pintar, desenhar e cozinhar.
Ainda pequena, a madrasta de Rapunzel descobriu que ela não poderia comer glúten. Muito má, ela continuou oferecendo comida com glúten para a menina, que sem saber, comia tudo.
Desta forma, a garota cresceu pouco e seus cabelos caíam muito e eram muito fracos.
Certo dia, um príncipe que explorava a floresta encontrou a torre e lá de baixo gritou:
- Tem alguém aí?
A garota estava sozinha, pois a sua madrasta havia saído para fazer compras na cidade e então ela apareceu na janela bem lá no alto da torre.
- Sim, estou aqui. – ela respondeu. Mas quem é você?
No momento em que o príncipe a viu, se apaixonou por ela.
Desde então, os dois começaram a conversar, ou melhor, a gritar, porque ele ficava lá embaixo da torre e quase não conseguia ouvir o que a menina dizia. Um dia, ele teve uma ideia:
- Jogue as suas tranças para eu subir e conversarmos melhor.
Rapunzel jogou as suas tranças bem fininhas, pois quase não tinha cabelos e tão logo ele começou a subir a trança quebrou e ele caiu. Por não fazer a dieta sem glúten, os cabelos dela caíam muito e eram fracos e quebradiços e por isso, não suportou o peso do príncipe.
Bem naquela hora a madrasta chegou e expulsou o príncipe de lá, dizendo a Rapunzel:
- Você nunca irá sair daqui mocinha, sabe por quê? Porque você não pode comer glúten, e eu dou alimentos cheios de glúten para você comer todos os dias. Então o seu cabelo nunca irá crescer e ficar forte o suficiente para você sair da torre. Você vai ser sempre doentinha e fraquinha.
A menina chorou e pensou: - Vou viver sozinha nesta torre por todos os dias da minha vida.
O príncipe estava escondido atrás de uma árvore e ouviu toda a discussão. No dia seguinte, esperou a madrasta sair e chamou a menina:
- Rapunzel, eu ouvi tudo o que a sua madrasta disse ontem. Então para você ter os cabelos fortes e não ficar mais doente é só parar de comer coisas com glúten.
- Mas eu não sei fazer nada sem glúten! – disse ela, muito aflita.
- Ah! Isto é fácil! – disse o príncipe. Entra no site da FENACELBRA e do www.riosemgluten.com. Lá você irá encontrar tudo o que precisa saber sobre o glúten e poderá baixar livros de graça. E para aprender a fazer coisas gostosas, veja o blog: www.soucriancaceliaca.blogspot.com.br. Lá tem receitas de pão, bolo, biscoito e muitas coisas gostosas, além de saber quais as tintas e massinhas tem glúten ou não.
Mais do que rápido, a menina correu para dentro da torre e entrou na internet. Lá ela ficou sabendo tudo sobre o glúten e ainda fez amizade com várias outras garotas celíacas como ela.
A partir daquele dia ela começou a cozinhar tudo sem glúten e até a sua madrasta se sentia mais disposta.
Como a bruxa má mandava a menina cozinhar e fazer todo o serviço da torre, ela nem percebeu que ela estava fazendo tudo sem glúten.
O tempo foi passando e os cabelos de Rapunzel voltaram a crescer e a ficar mais fortes do que nunca. Ela também começou a crescer e a sua pele estava mais brilhante ainda. Ela se sentia forte e não se cansava mais ao fazer as tarefas de casa.
Um dia, o príncipe ficou escondido atrás de uma árvore esperando a bruxa sair para chamar a sua amada.
Você deve estar se perguntando como a velha subia e descia da torre. Lá, havia uma escada enorme num esconderijo secreto onde só ela tinha a chave e era desta forma que ela entrava e saía de lá.
Ao vê-la sair, o príncipe correu e chamou a moça:
- Rapunzel, jogue as suas tranças!
Naquele dia, a moça surgiu muito linda na janela, com um belo sorriso e começou e desenrolar as sua cabeleira. E o cabelo começou a descer e a descer e quando o príncipe menos esperou, as tranças da garota tocou o chão. O príncipe então disse:
- Lá vou eu!
E sem nem fazer muita força, Rapunzel começou a puxar as tranças até que o seu amado chegou à janela.
Apaixonado, ele lhe deu um beijo de amor e jogou uma corda enorme que ele tinha mandado fazer e os dois desceram daquela torre enorme.




De lá, eles subiram numa linda moto e foram até o palácio.
Ele já havia falado sobre a moça para os seus pais e logo eles marcaram a data do casamento.
Uma semana antes de se casarem, a rainha, sogra de Rapunzel, lhe disse:
- Querida, não existe uma pessoa celíaca, mas sim uma família celíaca e você não pode ser sozinha. Eu tenho uma grande amiga que é rainha de um reino próximo ao nosso onde, além de terem roubado a sua filha quando criança, ela e todos os seus filhos também não podem comer glúten. Eu acho que você deve ser filha dela.
Logo a sogra de Rapunzel marcou uma reunião com a família da rainha, sua amiga. Ao se verem, logo todos perceberam que a moça era muito parecida com aquela rainha e por ser celíaca também, só podia ter sido ela que havia sido roubada de seus pais quando criança. No mesmo dia ela foi coroada princesa.
Os dias se passaram e no dia do casamento, Rapunzel pensou:
- Ainda bem que sou celíaca, caso o contrário, talvez eu nunca tivesse descoberto a minha família verdadeira!
E radiante, a moça surgiu no dia do seu casamento com um lindo penteado e junto ao príncipe e toda a sua família, a princesa viveu feliz para sempre!

 AUTORA: Erivane de Alencar Moreno

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O Gênio da Lâmpada Azul

                                           O gênio da lâmpada azul

Era uma vez um gênio solitário e sua lâmpada mágica.
Certo dia, uma menina chamada Julia passeava próximo à casa do gênio e como achou que não havia ninguém, resolveu entrar.
Cansada, pegou a sua garrafinha e tomou a água fresquinha e com fome, comeu o seu lanchinho. Depois disso, dormiu.

Ao acordar, Julia levou um susto! À sua frente estava sentado ninguém mais do que o gênio da lâmpada azul. Só que ele era bem diferente do que ela imaginava: era baixinho e fraquinho.

- O que você está fazendo aqui? Perguntou Julia, assustada.
- Ué, eu moro aqui. – respondeu o gênio.
- Oh! Desculpe-me por ter invadido a sua casa; eu pensei que não havia ninguém morando aqui. Eu já vou indo embora, mas antes, gostaria de saber se eu posso fazer os meus três pedidos.

- Receio que não. – disse o gênio, muito triste.
- Por quê? – perguntou Julia, inconformada.
- Porque eu estou muito fraco e não tenho forças nem para esfregar a lâmpada.

- Você está doente, senhor gênio?
- Não é bem isso, Julia. Acontece que eu sou celíaco e por isso eu não posso comer nada que tenha glúten, mas outro dia eu não resisti e comi um brigadeiro de um amigo sem perguntar se tinha glúten e depois passei mal. Eu também comi uma batata frita e só depois é que eu sou soube que ela foi frita junto com outras coisas que tinham glúten. Isto afeta a minha saúde e eu fui perdendo o meu poder e ficando pequeno...
Se eu pudesse, eu pediria para a lâmpada me deixar mais forte e me ensinar a fazer coisas sem glúten, mas eu não posso fazer um pedido para mim mesmo, pois a lâmpada mágica só funciona para outras pessoas.

A menina pensou, pensou e resolveu surpreender o gênio.
- Senhor gênio, disse ela se levantando – faça três pedidos que eu realizarei.
E mais do que rápido o gênio respondeu:

- Eu quero arroz, feijão, bife e batata frita.
- E o que mais?
- Biscoitos crocantes sem glúten e sem lactose.
- Sim, e o que mais?
- Huummm... Já sei: um bolo bem gostoso sem glúten, sem leite e sem ovos. – disse o gênio salivando.

Após fazer o pedido, o gênio abaixou a cabeça, demonstrando um profundo sinal de tristeza, pois acreditava que os seus pedidos não seriam atendidos.

Julia, super empolgada, puxou o gênio para a cozinha. Chegando lá, foi logo colocando o avental novinho, o qual o gênio ainda nem havia usado e se pôs a trabalhar.
Abriu as portas dos armários e encantada, exclamou: 
- Nossa! Quanta coisa legal! Farinha de arroz, polvilho doce, leite de amêndoas, confetes coloridos e barra de chocolate sem glúten e sem leite. Vou fazer muitas coisas gostosas com esses ingredientes!
E assim foi.

- Presta atenção aqui, gênio, e vai aprendendo comigo.
A menina parecia um gênio na cozinha!

Assou os biscoitos, fez a comida e preparou um lindo e macio bolo. Tudo sem glúten, sem leite e sem ovos.

Ao terminar, Julia arrumou a mesa e colocou todas aquelas delícias!
O gênio comeu, comeu e comeu muito, saciando toda a sua fome e matando a sua vontade! Cansado, o gênio adormeceu.

Ao acordar, ele tinha voltado ao seu tamanho normal.
- Nossa! Agora sim você parece um gênio de verdade! – disse Julia, admirando como o seu novo amigo estava grande.
- Sim, e tudo isso graças a você, Julia. Agora, pode fazer seus três pedidos, disse o gênio, pegando a lâmpada.
A menina pensou e disse:

- O meu primeiro pedido é que nunca falte produtos sem glúten na casa das crianças. 
- O segundo é que todos os pais saibam fazer pratos gostosos e sem glúten para os seus filhos.
E o terceiro pedido? – perguntou o gênio, ansioso.
- Bem, o terceiro é que todas as pessoas possam conhecer um gênio tão legal como você!
E esfregando a lâmpada, logo o seu desejo foi atendido.

Feliz, Julia se despediu do gênio, alegre por saber que sempre que precisasse parar em sua casa, ela poderia encontrar alimentos gostosos para comer sem ter medo de sentir dor de barriga, pois ela também era celíaca e na casa do gênio não havia nenhum produto com glúten e ela não correria o risco de sofrer contaminação cruzada.

Já o gênio, ao ver a menina ir embora, ficou pensando que a verdadeira mágica não era aquela que a lâmpada era capaz de fazer e sim, o que levamos dentro do nosso coração, pois sem a bondade de Julia, ele não teria se alimentado e não teria forças para realizar os desejos de tantas as pessoas.

Autora: Erivane de Alencar Moreno


Mais uma história infantil criada com amor para o seu filho.
Após ler a história, você poderá discutir sobre o assunto, explicar o que é contaminação cruzada, falar sobre alergias alimentares e ter um longo e saudável diálogo.
Uma ideia bacana é imprimir e dar para a professora da criança ler para todos os amiguinhos em sala de aula..

Espero que gostem. Boa leitura!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Eduarda e seus prolemas





Milena era uma menina supersimpática e gentil. Na escola, sempre estava rodeada de amigos. A sua melhor amiga, Sofia, também era bem popular. Ela fazia balé, natação e na corrida, ninguém a alcançava!


Certo dia, a professora passou uma tarefa em grupo:


- Meninas, vocês irão formar um grupo de quatro pessoas para fazer um trabalho, e nele,  contar  por quê você são felizes. Anotem os motivos e a partir daí façam uma peça de teatro. A melhor apresentação irá ganhar nota dez!


Todos na sala de aula ficaram agitados e os grupos logo foram se formando.

Milena e Sofia se uniram e chamaram Vitória e Eduarda.


- Meninas, quando chegarmos nas nossas casas, vamos anotar no nosso caderno por quê somos felizes e amanhã cada uma de nós vai ler para montarmos a peça.


No dia seguinte, as meninas se reuniram e Milena começou a ler uma lista interminável do porquê ela era uma garota feliz. Da mesma forma fizeram Sofia e Vitória.


Quando chegou a vez de Eduarda, ela disse:


- Eu não anotei nada! – e logo começou a chorar. 


As meninas se entreolharam assustadas e logo Sofia disse:


- Eduarda, não precisa chorar só porque você não fez as anotações. É só escrever agora!


E ainda em meio às lágrimas, Eduarda disse:


- Sabe o que é, meninas, eu não anotei nada porque eu não tenho motivo para ser feliz.


- Como assim? – responderam juntas, as outras três amigas.


- É simples. Vocês são felizes porque não tem problemas. Daí, fazem amizade com todo mundo e são superconhecidas na escola. Mas eu tenho vários motivos para ser triste: eu não posso tomar leite, nem comer nenhum alimento que tenha lactose, como doce de leite, por exemplo. E ainda por cima eu tenho osteoporose e sinto muitas dores no meu corpo – por isso eu nem me animo a praticar nenhum esporte. – respondeu Eduarda enxugando as lágrimas.


- E daí? – perguntaram as três amigas num só coro.


- Então você não tem nada mais de bom na sua vida? – perguntou Milena. – Você não tem pai, mãe, uma casa e roupas confortáveis para vestir?

Sofia então, aproximou-se da amiga e disse:

- Eduarda, você sabia que eu não posso chupar balas nem pirulitos porque eu tenho alergia a corantes alimentícios? Até os meus bolos tem de ser com chantily branco porque eu tenho alergia a todos os corantes. 


- E eu que tenho asma e sinto falta de ar? – comentou Vitória. – Eu faço o uso de bombinhas e faço inalação quase todos os dias e nem por isso deixo de praticar esporte. Eu faço natação e isto ajuda a melhorar a minha asma.


Eduarda ficou olhando aquelas meninas que pareciam ter uma vida perfeita e foi quando Milena sentou-se ao lado dela e disse:


- Amiga, por acaso você sabia que eu sou celíaca e tenho osteoporose?


Eduarda olhou a amiga sem acreditar no que estava ouvindo.


É isso mesmo! – continuou Milena. Eu não posso comer bolos, pães, biscoitos, pizzas nem nada que contenha glúten. Se eu for chupar uma bala eu tenho que ler se contém glúten ou não porque se eu comer algum alimento com glúten, me faz muito mal. E osteoporose eu passei a ter a pouco tempo e muitos dizem que está ligado à celíaca. Eu sinto dores no corpo, mas justamente por isso é que eu tenho que praticar muito esporte. Por isso eu faço balé e natação. Quanto mais parada eu ficar, pior para mim.


Naquele momento, Eduarda começou a perceber que aquelas amigas de classe que lhe pareciam tão perfeitas, também tinham problemas, mas que nem por isso elas eram tristes. Pelo contrário, elas eram superpopulares na escola, participavam de todas as atividades e estavam sempre alegres.


Puxa, meninas, eu pensava que vocês não tinham problemas, mas sabe que vocês tem razão? Eu tenho a minha família, meu cachorro Pingo, meus avós, meus primos e vocês, que são amigas maravilhosas. Eu sou feliz! – disse Eduarda, abrindo um lindo sorriso.


As quatro garotas se abraçaram e naquele dia, Eduarda fez uma lista enorme de vários motivos os quais a tornava uma menina feliz.


No dia da apresentação, as quatro amigas foram vestidas de fada e quando  iniciou o teatro,  cada uma deu um passo à frente, e disse o porquê era feliz.

Quando chegou a vez de Eduarda, com a varinha de condão nas mãos, ela começou a dançar como uma fada e dizer:


- Eu tenho vários motivos para ser uma fada feliz: eu tenho um quarto de fada, tenho brinquedos que só uma fadinha tem, tenho uma professora linda, que mais parece uma fada e até os meus dentinhos que caem, é uma fadinha que recolhe e deixa dinheiro debaixo do travesseiro para mim. Sim, eu sou a fada mais feliz do mundooooo!


A sua empolgação era tão grande que a menina conseguiu contagiar toda a turma da sala e logo, todos começaram a aplaudi-la de pé.


A professora ficou muito feliz e deu nota dez para o grupo dela.


As quatro garotas se abraçaram cheias de alegria e daquele dia em diante, Eduarda já não era mais uma garota triste e emburrada, pois ela sabia que, o que não faltava era motivos para ser feliz!



Autora: Erivane de Alencar Moreno

terça-feira, 6 de maio de 2014

A Casa de Doces







Era uma vez dois irmãos de nome Pedrinho e Gigi que moravam perto da floresta.

Gigi era diabética e não podia ficar comendo doces. Além disso, ela sempre andava com o seu kit salva vidas, que era o aparelho de medir a glicemia, uma fruta e uma bala e a insulina, em sua bolsinha. Assim, se a glicemia que é o açúcar no sangue estive alta ela aplicaria uma dose de insulina e se estivesse muito baixa ela comeria uma fruta ou chuparia uma balinha.

Certo dia sua mãe lhe pediu que fosse pegar galhos secos para ascender à lareira, mas pediu que não fossem muito longe.

E lá se foram Pedrinho e Gigi correndo, encantados pelas flores e árvores que havia pelo caminho. E para não se perderem, o garoto teve uma ideia genial: foi jogando pedaços de biscoito pelo caminho, pois assim seguiriam o caminho das migalhas na volta e não se perderiam.

Já no meio da floresta os dois começaram a brincar de pega a pega, de esconde-esconde e o tempo passou. Quando perceberam já estava escurecendo.

Ao resolver voltar para a casa, perceberam que as migalhas de biscoito já não estavam mais onde eles haviam colocado. Os passarinhos que moravam por ali comeram tudo e desta forma Pedrinho e Gigi não sabiam mais o caminho de volta para a casa.

Cansados e com fome, eles precisavam encontrar um lugar para passar a noite.

Pedrinho então subiu num galho de árvore bem alto e avistou uma luz acesa.

- Deve ser uma casa. Vamos lá, Gigi! – disse ele.

E correndo, os dois foram em direção aquela casa.

Ao chegar ali eles chamaram bem alto:

- Olá! Tem alguém em casa?

E lá de dentro saiu uma velhinha graciosa.

- Entrem meus meninos. – disse ela, com um sorriso amigável.







Quando Pedrinho e Gigi entraram tiveram uma surpresa: a mesa estava cheia de doces. Bolos, tortas, chocolates, biscoitos, sorvetes, enfim, variados tipos de doces estavam sob a mesa da cozinha.

- A senhora vende doces? – perguntou Pedrinho.

- Sim, estão sentindo o cheiro de caramelo? São balinhas que estão no fogo. E podem comer tudo o que vocês quiserem.

- Ela não pode porque tem diabete! - exclamou Pedrinho.

- Ah, é? Então comam esta comida – disse a velhinha, colocando um belo frango assado com arroz, feijão e salada em cima da mesa.

Eles comeram tudo e cansados, adormeceram.

Quando acordaram, perceberam que a velhinha os havia acorrentado ao pé da mesa. Com jeitinho, Pedrinho conseguiu abrir o cadeado e fugir, mas Gigi ficou presa ao pé daquela mesa cheia de doces.

Então aquela velhinha que parecia ser boa, disse:

- Preciso que você experimente todos estes doces e se estiverem bons eu sairei para vendê-los.

- Mas, por que a senhora mesma não experimenta? – perguntou Gigi, assustada.

- Porque sempre que como muito doce eu passo mal, então não posso mais ficar experimentando esse montão de doces que faço todos os dias. Eu preciso de alguém para trabalhar para mim e experimentar tudo o que eu faço.

Gigi era destemida e sabia que mais cedo ou mais tarde alguém apareceria para salvá-la, mas o problema eram os doces. Como resistir a tanta coisa gostosa? Mas ela se lembrou que sua mãe sempre dizia que ela deveria resistir a tentação.





Os dias se passaram e Gigi só comia o almoço e jantar que a velhinha lhe trazia. Nos intervalos, ela olhava como estava a sua glicemia e comia as frutas que tinha levado consigo. Em nenhum momento ela passou mal porque soube se cuidar conforme a sua mãe lhe ensinou.

Todos os dias, quando a velhinha fazia um novo doce, Gigi fingia experimentar e dizia que estava maravilhoso e ela poderia vender.

Passado algum tempo, alguém bateu à porta. A velha má foi atender e para sua surpresa quem era? O irmão de Gigi e seus pais.

Quando conseguiu fugir, Pedrinho se embrenhou pela floresta e encontrou o caminho de casa. Aflito, contou aos seus pais o que havia acontecido e todos saíram em busca da menina.

Ao ouvir a voz de seus pais, Gigi gritou:

- Estou aqui! Estou aqui na cozinha!

Eles entraram, tiraram as correntes que prendiam Gigi e a libertaram.

- Você está bem, filhinha? –perguntou a sua mãe, preocupada.

- Sim, mamãe. Eu estava com o meu kit salva vidas e todos os dias apliquei a insulina como a senhora me ensinou. E não comi nenhum doce, somente frutas e comida.

Quando a velhinha ouviu toda a conversa ela disse: - Será que eu sou diabética também?

Então os seus pais a levaram para fazer exame e descobriram porque a velha sempre passava mal quando comia muito doce: o açúcar em seu sangue subia muito e desta forma descobriram que ela era diabética.

A velha pediu mil perdões e disse que nunca mais em sua vida iria prender nenhuma criança ao pé da mesa e que seria uma pessoa boa para todos.






O tempo passou e certo dia, passeando junto à sua família pela cidade, Pedrinho e Gigi viram aquela velhinha vendendo doces e foram cumprimentá-la.

Ela gentilmente ofereceu-lhes um pedaço de bolo e, antes que alguém pudesse dizer alguma coisa ela acrescentou:

- Pode comer Gigi, porque o bolo é diet. Depois que eu descobri que tenho diabetes, me especializei em doces sem açúcar e agora só faço delícias diets.

Feliz, Gigi mediu a sua glicemia e viu que poderia sim comer um pedacinho de bolo diet. E todos passearam felizes pela cidade.

Autoria: Erivane de Alencar Moreno