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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Argentina

O título da postagem ia ser "Buenos Aires", mas achei injusto destacar somente a capital da Argentina, sendo que o país todo está preparado para receber pessoas celíacas.

Fiquei sabendo que lá foi realizado um forte trabalho da Associação dos Celíacos, sendo que houve uma união muito grande de vários celíacos os quais se voluntariaram para divulgar a DC. Foi aprovada uma Lei onde os estabelecimento também tem que possuir um cardápio apropriado para os celíacos. Sabendo disso, fiz questão de entrar em vários estabelecimentos. Conversei com donos de restaurantes, bares e lanchonetes e todos me diziam se poderíamos comer lá ou não. Se houvesse risco de contaminação eles me diziam que não era apropriado - se tinham algum prato sem contaminação, diziam que poderíamos comer tranquilamente. A todos os lugares que fomos, recebi uma aula sobre a doença celíaca!

Na maioria dos lugres é muito fácil comer porque o prato principal na Argentina normalmente é composta por um belo pedaço de carne e papas. Mas o conhecimento deles falando sobre a contaminação cruzada é admirável!

Fomos também à cidade Luján - no zoológico. Ao conversar sobre alimentação um  homem me disse: -"Converse com tal pessoa que ela fará um prato à parte sem risco de contaminação para você."
Fiquei admirada!!!

No Parque Japonês, no centro de Buenos Aires, tinha um cartaz enorme com a foto de uma fatia de pizza suculenta, escrito em letras garrafais: "apto para celíacos - SINC TACC". Para quem não sabe, TACC significa: 
T - trigo
A - aveia
C - centeio
C - cevada

Ou seja, eu saía de manhã com uma mala cheia de comida para passar o dia fora, mas não era necessário, porque onde íamos, ou tinha uma confeitaria em cada bairro com bolos, tortas, empanadas e outras delícias sem glúten, ou nos parques e restaurantes haviam opções seguras para nós.

Eu já tinha ouvido falar que Buenos Aires era o paraíso para celíacos, mas ainda não havia provado. Me senti normal com uma vida social muito ativa. Adoraria morar num país assim, onde eu não precisasse ficar o tempo todo na cozinha e onde eu não precisasse também levar uma mala de comida toda vez que saísse de casa. 

Bem, segue algumas fotos das nossas aventuras por lá...





Fortaleza

Hoje vou falar sobre Fortaleza - CE. Um lugar lindo, com muitas praias, sol, calor o ano inteiro e... muitas coisas boas sem glúten.
Viajar para o Nordeste do Brasil é muito bom porque temos muitos pratos de origem da mandioca, que é naturalmente sem glúten, porém, em Fortaleza, o que me impressionou foi o conhecimento das pessoas em relação ao glúten.
Infelizmente, no Brasil, a celíaca ainda não conseguiu atingir a sociedade, de forma que a divulgação tem sido feita em relação ao glúten. Pois então, em Fortaleza, muitas pessoas sabem o que é o glúten e o mal que ele faz à algumas pessoas.

Comemos no restaurante Cabaña Del Primo (http://www.cabanadelprimo.com.br), no Coco Bambu da praia de Meirelles e foi tudo perfeito. Conversamos com os gerentes e fizeram tudo à parte para nós.

Num dos passeios que fizemos, à praia de Morro Branco para visitar as falésias, eu levei o almoço da minha filha. Aliás, sempre que vamos passar o dia fora eu levo a marmita dela. Nos hospedamos sempre num apartamento onde eu possa cozinhar. Faço um macarrão ao sugo e um filé de frango empanado e o dia está garantido! Pois bem, quando chegamos à barraca, eu fui conversar diretamente com a dona para pedir para colocar a marmita na geladeira e aquecer na hora do almoço. A Rafaela, muito simpática, disse que sabia que o glúten era a farinha de trigo e que seu filho também tem alergia alimentar, porém, a sua alergia é ao leite. Para onde ela vai, também leva a comida dele, pois disse que muitas vezes ela confiou e ele comeu e passou mal - teve reações respiratórias e na pele. Daí em diante o papou durou...  Sempre que conheço alguém que tem alguma restrição alimentar é como se eu tivesse encontrado uma pessoa conhecida e aí eu já me sinto em casa!
Ela então fritou uma porção de macaxeira (mandioca) num óleo à parte. A minha filha comeu macaxeira o dia todo!

Num dos passeios que fizemos, paramos num Engenho para conhecermos o trabalho deles e comprarmos rapadura. ocnversa vai, conversa vem, adivinhem? Uma das donas descobriu ter intolerância a lactose e alergia ao leite há poucos meses. Ela disse: "Eu aqui cercada por essas delícias todos os dias e não posso nem pensar em comer nada disso!"
Pude perceber que a cada dia vem surgindo mais pessoas com reações ao leite e ao glúten.
Naquele dia, ela nos serviu uma cocada cremosa que mais parecia um bolo. Um dos doces mais gostosos que já provei na vida, e o melhor: sem glúten!

No café da manhã de domingo, fizemos questão de ir ao Centro das Tapiocas, onde sabemos que é naturalmente sem glúten. No lugar onde comemos, tinha também o famoso mungunzá (nossa canjica aqui em São Paulo) e a canjiquinha (que é o nosso cural de milho). Tudo sem gluten e delicioso!

Aliás, a tapioca sempre me salva quando viajamos para o Nordeste porque a minha filha ama, é barato e encontramos em vários lugares com vários recheios que também não tem glúten.

Então é isso! Viajar é bom, alegra o espírito, traz conhecimento e é perfeitamente possível viajar mesmo tendo restrição alimentar.
Mais um lugar mega recomendado!