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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O famoso Eduardo


Eduardo queria ser popular na escola
Queria ter muitos amigos e ser conhecido por todos;
Desejava ser diferente como algum super herói
Ou poder domar um cavalo igualzinho a um cowboy
Não importava o motivo da fama, o que ele queria era ser popular.
Mas como, se com ele tudo acontecia?
Se um inseto o picasse a pele ficava toda vermelha
Se tomava leite de vaca a sua barriga doía.
Se corria muito sentia falta de ar
Nem bicho de pelúcia ele podia
porque com o pó logo começava a espirrar.
Ah! Era tanta coisa que o Eduardo tinha
e sendo assim como ele iria se destacar?
O menino vivia pensando, assim, dentro da sua cabecinha
Uma forma de ser diferente
De ficar banguelo sem perder os dentes
De só comer besteiras e não ficar doente
Quem sabe pintar o cabelo ou fazer permanente
Ser o campeão no vídeo game ou ganhar nos jogos do Facebook
O menino precisava ter atitude prá se tornar bem conhecido.
E ele não sabia como, porque era muito tímido.
Mas certo dia na hora do lanche
um amigo seu pediu um pedaço de bolo
Eduardo deu, o menino comeu
e depois o olhou com cara de bobo.
Mais que bolo mais gostoso! É mais leve e mais saboroso. – Constatou o jovem menino.
E logo toda a turma só queria comer o lanche do Eduardo
Porque o bolo não tinha farinha de trigo
Os biscoitos eram feitos de amido
Nem de salgadinhos Eduardo gostava
Em sua lancheira era fruta que ele levava
A hora do lanche parecia uma festa todo dia,
Onde todo mundo conversava e brincava
E comia os lanches que a mãe do Eduardo fazia.
Se uma bala diferente alguma pessoa oferecia
os amigos de Eduardo logo diziam que ele não podia
Que primeiro tinha que olhar no rótulo os ingredientes
para ver se o menino poderia comer
Porque o Edu era um menino diferente
e isto era fácil de se perceber.
Só quem não percebeu foi o próprio Eduardo,
que ele era um garoto muito especial
E de tão especial que era, passou a ser admirado por toda a turma da escola
E olha que ele nem precisou pintar o cabelo e nem aprender a tocar viola
Eduardo só foi ele mesmo – um garoto de alto astral
que tinha uma alimentação mais do que legal.
E por ter nascido diferente acabou fazendo sucesso naturalmente.
Esta é a história do Eduardo, que continua espirrando e tendo muitas alergias
Mas que descobriu que o importante é ter muitos amigos,
Uma alimentação saudável e uma vida cheia de alegria.



Autora: Erivane de Alencar Moreno

A menina que fazia inalação

Ana Beatriz vivia com falta de ar
Se chegava perto de um bichinho de pelúcia
Ela logo começava a espirrar
A vida dela era fazer inalação
“Ô coisa chata”, - pensava ela.
“Isto me atrapalha a ver televisão.”
Se corria muito ela se cansava,
Se sentia cheiro de perfume ela espirrava.
Vivia tomando antialérgicos
E vários outros remédios.

Um dia a sua situação piorou
E para o hospital seus pais a levaram.
Fez inalação, tomou injeção.
Mas de nada adiantou, então eles a internaram.
Ela ficou num quarto onde tinha computador,
E de casa a sua mãe trouxe uma pequena televisão.
Trouxe muitos papéis e vários lápis de cor
Mas a garotinha gostava era de brincar com jogos de decoração.

Em algum horário do dia chegava uma mulher
Que dava uns tapinhas generosos no seu peito.
Segundo a sua mãe, ela era fisioterapeuta,
E iria ajudá-la a respirar direito.
Ana Beatriz melhorava toda vez que essa fisioterapia era feita
Ela respirava melhor e dizia: “Mamãe, agora eu já estou perfeita”.
Perfeita Ana Beatriz já era, mas ainda precisava melhorar.
E para isso tomou direitinho os medicamentos
Que as enfermeiras tão boazinhas vinham lhe dar.

A garota conheceu outras crianças e cada uma tinha uma história
Umas tossiam muito, outras estavam com pneumonia.
Algumas não respiravam direito e tinham algumas alergias.
Todas aquelas amizades alegraram o seu coração
E o mais legal, era que assim como ela, todas aquelas  crianças também faziam inalação.
Para passar o tempo, Ana Beatriz desenhava,
Assistia televisão e no computador ela jogava. 

Os dias passaram tão rápido que a garota nem percebeu
E logo a sua mãe uma boa notícia lhe deu.
Filha, você já está bem e para a casa poderemos voltar.
Ana  Beatriz ficou feliz mas logo se pôs a chorar.
Era porque ela queria os seus novos amigos levar.
Mas a sua mãe lhe explicou, que a amizade não precisava acabar.
Porque elas também receberiam alta e fora do hospital todas poderiam se encontrar.

Lá se foi Ana Beatriz, respirando bem melhor.
Ela pulava, ela corria e nenhuma tosse aparecia.
Mas lá no fundo ela sabia que se um dia precisasse
Voltar ao hospital e novamente ficar internada.
Ela iria entender perfeitamente e nem ia ficar chateada.
Porque o importante era estar bem para brincar e para correr
Pois  em qualquer lugar onde estivesse, muitas amizades poderia fazer.


Autoria:  Erivane Flausina de Alencar Moreno

A garotinha Cindy

Era uma vez uma garotinha que se chamava Cindy.
Ela era muito inteligente e sempre se destacava na escola. Mas como nem tudo é perfeito, ela tinha duas amigas muito más e a sua professora não gostava muito dela.
O maior sonho de Cindy não era encontrar um príncipe encantado, era outro desejo um tanto diferente: poder comer os mesmos alimentos que os seus amigos comiam.
Suas duas amigas por nome de Ane  e Viviane vivam caçoando de Cindy porque ela não podia comer determinadas coisas. Lá no fundo era pura inveja porque a Cindy só levava alimentos saborosos e livres de glúten para a escola. A professora por sua vez também era muito má e vivia pedindo para a menina fazer várias coisas na sala de aula.
- Cindy, apaga a lousa. Cindy, distribua as lições para seus amigos. Cindy, me ajude a corrigir as provas. Tudo era Cindy, Cindy e Cindy. A menina não tinha tempo nem para brincar com os amiguinhos direito.
Lá no fundo havia um motivo muito forte para a sua professora não gostar dela: ela vivia olhando a página do Facebook da mãe de Cindy e via que ela colocava fotos de todas as guloseimas que costumava fazer para a sua filha e a professora ficava morrendo de vontade de comer, mas ela não sabia fazer aquelas receitas saborosas sem glúten e por isso sentia muita inveja da menina.
Certo dia, o Felipe, um dos amiguinhos da turma levou um convite para todos da sala – seria a festa de seu aniversário.
A mãe de Cindy, com todo o carinho fez um bolo de chocolate recheado, salgadinhos e docinhos, todos sem glúten, para que Cindy pudesse comer no aniversário. A garota sabia que não podia comer nada do que era servido na festa porque tudo ali tinha glúten, mas ela não ficava triste por isso, afinal, ela ia às festas para brincar e se divertir com os amigos e não para ficar comendo o tempo todo. 
Ao chegar à festa, todas as crianças correram para abraçá-la numa forma de “montinho” – era sempre assim quando Cindy chegava porque ela era muito querida por todos.
Porém, Ane e Viviane não foram abraçá-la e ficaram com muita inveja quando as duas viram a doce menina abrir a sua lancheira e tirar toda aquela comida gostosa que sua mãe havia preparado.
Antes mesmo de comer, os seus amigos vieram chamá-la para ir aos brinquedos e Cindy saiu correndo deixando as suas guloseimas em cima da mesa.
As duas meninas mais do que rápido foram até a mesa e comeram tudo e até a professora que estava por perto resolveu comer também. A professora pegou o celular, tirou uma foto dela e das duas amigas más com a boca lambusada daquelas delícias e postou no Facebook, dizendo: “Eu adoro os alimentos sem glúten, são muito saborosos!
Quando se cansou, Cindy foi até a mesa para tomar uma água e comer um pouco e para a sua surpresa os seus salgados e bolo haviam sumido.
Triste, Cindy saiu correndo e foi embora da festa esquecendo a sua lancheira em cima da mesa e Ane aproveitou para pegar a lancheira para ela.
No outro dia todos estavam reunidos na escola e Cindy ainda estava triste porque havia perdido a sua lancheira cor de rosa com lilás de que ela tanto gostava.
Na hora do recreio, Ane abriu a lancheira para pegar o lanche e logo Cindy reconheceu que aquela era a sua lancheira, mas Ane afirmou que sua mãe havia comprado uma igualzinha para ela.
Após o lanche os alunos foram brincar e o Felipe que havia ganhado um celular de presente dos seus pais no dia do seu aniversário, quis mostrá-lo para a sua amiga Cindy.
Ele disse: - Olha, Cindy, a minha mãe criou um Facebook para mim. – e os dois começaram a ver fotos, até que num momento eles entraram no Face da professora e o que eles viram? A foto dela junto a Ane e a Viviane comendo os salgados que a Cindy havia levado para a festa; e na foto a Ane estava segurando a lancheira da menina.
Pronto! O mistério havia sido desvendado: além de descobrir quem havia comido as suas coisas, Cindy e Felipe descobriram quem havia pegado a sua lancheira.
Mais do que depressa os amigos se reuniram e foram a diretoria contar tudo o que havia acontecido.
- Porque você comeu a comida da Cindy, professora? – perguntou a diretora.
- Porque eu via as fotos de tudo o que a mãe da Cindy preparava para ela e ficava com vontade, diretora.
- E vocês, Ane e Viviane? Porque fizeram isso com a amiguinha de vocês?
- Ah, senhora diretora, é que como a Cindy tem uma alimentação saudável ela está sempre tão feliz e tem disposição para participar de todas as brincadeiras e quase sempre ganha nas competições das aulas de Educação Física. Nós pensamos que comendo os alimentos dela nós também ficaríamos fortes e bonitas como ela.
A diretora pensou bem e, ao invés de dar um belo castigo para a professora e para as duas garotas, ela deu a seguinte ordem:
- A partir de hoje teremos aulas de culinária sem glúten todos os meses nesta escola e desta forma a Cindy poderá ensinar a todos como fazer alimentos gostosos sem farinha de trigo e outras proteínas do glúten.
Depois disto, a sua lancheira foi devolvida com um belo pedido de desculpas e a partir daquele dia, todos na escola se uniram para fazer deliciosas receitas sem glúten onde todos puderam participar tanto na elaboração quanto na degustação. A professora já não sentia mais inveja, pois o seu Facebook também passou a ficar cheio de fotos de todos os seus alunos fazendo e comendo gostosuras sem glúten feito por todos eles nas aulas de culinária.
Depois disto, o maior sonho de Cindy já não era poder comer os alimentos que os seus amigos comiam e sim o contrário, que todos pudessem comer as coisas saborosas que ela comia para que todos fossem felizes como ela. E o seu desejo foi atendido.


Autoria: Erivane Flausina de Alencar Moreno