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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Punta Del Este - Uruguai

Após o diagnóstico da celíaca, ficamos preocupados com as viagens.
A restrição alimentar interfere muito na vida social de pessoas celíacas e muitas famílias optam por não se aventurar.
Bem, eu sou uma mulher com espírito aventureiro e que ama viajar! Sendo assim, sempre viajamos; mesmo após o diagnóstico da minha filha. 
No entanto, sempre tive medo de sair do país com ela, porque eu não sabia como seria a sua alimentação. 
Quando viajo, sempre levo uma bolsa térmica grande como bagagem de mão, no avião. Nela eu levo pães, biscoitos, cereal, achocolatado em pó e já levei até bolo e torta salgada, quando fomos para Porto de Galinhas!
Como bons paulistanos que somos, gostamos muito de viajar para o Nordeste, e lá, encontramos muitos pratos elaborados com mandioca que não contém glúten, além de sempre contarmos com o bom coração e simpatia do nordestino, que faz de tudo pela minha filha, seja em restaurante, pousada ou hotel.
Em 2015, no entanto, resolvemos mudar o nosso destino. Programamos uma viagem para o Uruguai e Argentina.
Todos me diziam que lá tem uma oferta muito grande de produtos sem glúten e isso me deixou mais calma, porém, não menos apreensiva. 
Mãe é mãe em qualquer lugar do mundo, e mesmo sabendo de toda essa oferta, eu levei o pão para 15 dias (a minha filha não come pão sem glúten de nenhuma marca - diz que só gosta do que eu faço). Levei também alguns biscoitos, o achocolatado em pó e dois litros de leite de arroz. 
Desta vez, eu entrei no avião com a sensação de que estava esquecendo de alguma coisa. Sim! Para quem estava acostumada a levar a casa na bolsa térmica, quando ia logo ali  passar uma semana no Nordeste, ou mesmo para alguma cidade do interior de São Paulo, eu não levei quase nada para ficar 16 dias fora do meu país!
Após acomodar a bolsa térmica no avião, olhei para a minha filha e senti um frio na barriga e um arrependimento enorme por não ter levado mais alimentos para ela. Todavia, já era tarde demais para pensar em fazer alguma coisa e o jeito foi tentar relaxar e exercitar um pouco da minha fé.
Assim que chegamos no Uruguai, mais precisamente em Punta Del Este, a primeira coisa que fizemos foi ir a um supermercado.
Ah! Antigamente ficávamos em hotel, depois passamos a ficar em pousada, onde o tratamento é mais informal e me abriam espaço para cozinhar de vez em quando, e, desta vez, alugamos um apartamento, onde eu poderia preparar a refeição e, com isto, diminuir o risco de contaminação com glúten.
Bem, tão logo entramos no mercado, eis que vejo uma gôndola enorme com vários produtos sem glúten. Sabe aquela criança que entra na loja de brinquedos e os olhinhos brilham de tanta emoção? Esta era eu em meio a tantos produtos sem glúten!
Os preços? Comparados aos do Brasil, são altos, porém, tudo é muito caro no Uruguai. Mas comparado aos produtos com glúten que são vendidos por lá, não há diferença. Aqui no Brasil, tem biscoitos com glúten que custam uma média de R$ 2,00 e o sem glúten chega a custar de R$ 12,00 a R$ 23,00. Lá, os preços são os mesmos e para quem mora naquele país, não existe o impacto de comprar produtos sem glúten.







Estando por lá, procure o Fresh Market (fica na parte de trás do Punta Shopping). Esse mercado é caro porque é estilo o nosso Pão de Açúcar (classe A).
Dentro do Shopping, tem um mercado enorme (estilo Carrefour), chamado Tienda Inglesa. Foi só falar com um repositor e dizer a palavra: "celíaco" que ele já foi me mostrando gôndolas e mais gôndolas com produtos sem glúten. Muito cereal, biscoitos, bolos, macarrão, entre outros.
Na praia Mansa, quiosque nr.5 - Pilsen, levei a lancheira com o almoço e café da tarde da minha filha,  e pedi para guardarem na geladeira e aquecerem quando fôssemos almoçar. Aproveitei e pedi para conversar com o dono do restaurante e perguntei se havia algo sem glúten. Ele fez uma careta e eu disse: "A minha filha é celíaca." Na mesma hora ele disse: "Ah, sim. Celíaca!" - E disse que não tinha cardápio, mas que poderia preparar alguma coisa. Foi até a cozinha e chamou o chefe. Este disse que não achava bom preparar algo para ela porque no local onde ela grelhava as carnes tinha farinha de trigo e haveria contaminação. Fiquei boquiaberta ao ver o entendimento dos uruguaios a respeito dos celíacos. Aqui no Brasil, se dissermos a palavra celíaco, as pessoas não fazem a mínima ideia do que se trata.
Neste dia a minha filha viu várias crianças tomando sorvete e desde o dia em que chegamos, com um calor de 40graus ela não pôde tomar um sorvete sequer, porque todas as marcas tinham glúten. Ainda no restaurante, ela ficou cabisbaixa e algumas lágrimas rolaram. Ela disse que não gostava de ser celíaca.
Com o coração em pedaços, mais uma vez fui forte e disse para ela ver o lado bom das coisas, pois tínhamos comprados cereal e vários biscoitos deliciosos sem glúten. 
Bem, a partir daquele momento eu tinha uma missão: fazer o possível e o impossível para encontrar um "helado" sem glúten para ela.
No dia seguinte, a tarde, encontramos a Sorveteria Pecas. Ela é enorme e fica na esquina na Av. Gorleros com a Rua Pecas, na praia Brava. O sorvete de massa parece o sorvete do Stupendo, aqui no Brasil: maravilhoso!
Quando perguntei à atendente se havia algum sorvete próprio para celíaco, ela abriu um sorriso e disse que só tinha 5 sabores que tinham glúten - o restante era apto para celíaco e sem contaminação.
Dia, 31/12/15, último dia do ano - alugamos um carro para visitar as praias mais distantes. Neste dia eu levantei cedo, fiz um macarrão com molho à bolonhesa e levei na mochila térmica. Paramos num restaurante que fica no meio do nada na praia de José Ignácio - um lugar paradisíaco! E não é que a atendente do restaurante sabe o que é celíaco?  A ACELU - Associação aos Celíacos no Uruguay tem feito um grande trabalho junto aos restaurantes. Ela propôs preparar um chivito separadamente para a minha filha. O chivito é um lanche com uma carne grelhada, ovo frito, alface e tomate. Vem no prato e pode-se comer sem o pão. Como eu já tinha levado o macarrão, ela aqueceu e a minha filha comeu toda contente, pois ela ama comer macarrão á bolonhesa.
No primeiro dia do ano de 2016, almoçamos no SIN GLÚTEN, na Av. Joaquim Lenzina. Lá, a Elisete vende discos de pizza, empanadas de pollo, jamón y queso, hamburguesa, medialuna, alfajor, etc. Comemos lá e fizemos uma compra para levar na nossa mala. Conversei muito com a Elisete, pois como a minha filha diz, eu falo mais do que a boca. Gostei muito de conhecer o dia a dia da loja dela, o seu filhos de dez ano que é celíaco e fiquei sabendo que 90% dos celíacos que passam por lá não tem problemas com lactose. Aliás, por todos os lugares que passei eu perguntei e disseram que uma parcela mínima dos celíacos não consomem leite. Interessante, porque no Brasil, a maioria dos celíacos dizem ter intolerância a lactose ou mesmo sem ter problema, preferem abstê-lo da alimentação. E por falar nisso, outro fator que achei muito legal foi o fato de venderem refrigerante nas lojas especializadas em produtos sem glúten, porque aqui no Brasil, as pessoas celíacas falam mal do  refrigerante e se você disser que tem vontade de ir á um McDonald's, elas são capazes de te exorcizar! 
A restrição alimentar de um celíaco já é pesada demais, e, se não pudermos nem nos dar ao luxo de tomarmos um refrigerante ou de comermos um lanche de vez em quando, vamos viver de quê? Eu penso que um dos grandes prazeres da vida é comer e que o equilíbrio vale para tudo na vida. Quem é adepto dos sucos e da água, ok. Mas quem gosta de refrigerante e de cerveja, que seja feliz! O importante é não beber até cair e nem tomar refrigerante todos os dias.
Bem, segue abaixo algumas fotos dos dias que passamos em Punta Del Este.





                                             Eu, Elisete a Amanda

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